Seção 1 · O Problema
A OnSafety é uma plataforma de gestão de segurança do trabalho usada por empresas de construção civil e indústria para que técnicos de SST, engenheiros de segurança e responsáveis por compliance organizem o cumprimento dos protocolos que protegem a vida de seus colaboradores no canteiro e no chão de fábrica. Cada empresa que adota a ferramenta significa, na prática, mais trabalhadores cobertos por um processo sério de prevenção.
Em 2020, a empresa tinha acabado de bater o break-even (ponto de equilíbrio). Caixa apertado, sem folga para erro. O Renan, fundador e engenheiro de software de formação, fazia o trabalho de quatro pessoas ao mesmo tempo: tocava o desenvolvimento do app, atendia cliente, fechava venda, e ainda tentava cuidar das campanhas de tráfego pago no gerenciador de anúncios da Meta e do Google.
A consequência maior não estava nas campanhas em si, mas no que deixava de acontecer enquanto ele cuidava delas: a engenharia do app andava devagar, as conversas com cliente se acumulavam, as decisões estratégicas eram deixadas de lado. E, talvez o mais relevante, empresas que precisavam da plataforma para proteger seus colaboradores chegavam até ela na velocidade do tempo que sobrava entre todo o resto. Um fundador num gargalo que ele mesmo, sem querer, acabou criando.
Essa era a realidade do Renan quando ele procurou a Loocro. Em 2020, a Loocro também era pequena: o Paulo trabalhando sozinho, sem time, sem site. Dois fundadores em momentos parecidos, tentando resolver problemas diferentes na mesma conversa.
Seção 2 · O Diagnóstico
Quando olhamos a conta do Renan pela primeira vez, três coisas chamaram atenção logo de saída e desenharam o ponto de partida do trabalho.
01As campanhas estavam bem montadas, mas não havia sistema por trás.
O Renan tinha estruturado o gerenciador com lances coerentes e uma separação inicial entre os tipos de campanha. Não era um problema de competência. O que faltava era o que ninguém ensina quando se aprende tráfego pago na marra: uma régua clara para decidir quando escalar uma campanha que está performando, quando cortar uma que está sangrando orçamento, e como separar a lógica de uma campanha de app install da de uma campanha de geração de leads. As decisões existiam, só não vinham num ritmo nem numa frequência que produzissem resultado consistente.
02O comprador não era um perfil só, eram três.
A OnSafety atende três tomadores de decisão diferentes que olham para o mesmo app por ângulos distintos: o técnico de SST quer profundidade técnica e ferramenta confiável no dia a dia; o engenheiro de segurança ou responsável por compliance quer clareza regulatória e blindagem legal; o gerente de obra ou diretor de operações quer ROI operacional, redução de afastamento e proteção da produtividade da obra. Rodar o mesmo criativo para os três era pagar para impactar gente que recebia uma mensagem que não falava com o problema específico dela.
03O custo de aquisição estava dentro do aceitável. A retenção era o multiplicador escondido.
No B2B SaaS, a conta fecha (ou não) na relação LTV/CAC. Nos primeiros dados que pudemos olhar, ficou claro que a OnSafety tinha uma retenção de cliente bem acima da média do mercado, o que significava que a operação podia absorver um CAC mais alto do que a maioria das agências aconselharia, desde que esse investimento se traduzisse em leads de maior qualidade fechando contratos maiores.
O diagnóstico não foi "gastar menos". Foi mais ambicioso: construir, junto com o Renan, uma operação de growth que rodasse sem depender dele para acontecer, sustentada por uma camada de relatório que ele pudesse acompanhar em poucos minutos por semana.
Seção 3 · O Que Mudou
A reconstrução começou pelos dois tipos de campanha que precisavam rodar em paralelo, cada um com lógica e métrica próprias, sem misturar uma coisa com a outra.
Campanhas de app install.
Direcionadas para técnicos de SST, engenheiros de segurança e gerentes de obra que iam baixar e testar a plataforma diretamente, sem precisar passar pelo time comercial primeiro. O que importava aqui não era volume de instalação, mas sim instalação de quem se encaixava no perfil de comprador e tinha uma dor concreta para resolver, o que se traduzia em pessoas mais propensas a converter para a versão paga e a manter o uso ao longo do tempo.
Campanhas de geração de leads.
Para o público que precisava de um caminho mais conduzido até a decisão de compra: landing pages com argumentação por persona, formulários alinhados ao perfil que queríamos atrair, ofertas de conteúdo que filtravam quem estava só curioso de quem estava realmente avaliando uma solução. Cada formulário preenchido virava uma ligação do time comercial. Cada instalação também. Praticamente todo lead que entrou na base recebeu contato humano nos primeiros dias.
Em paralelo às campanhas pagas, montamos uma camada de conteúdo educativo voltada para os três perfis de comprador: artigos sobre legislação trabalhista e compliance, materiais práticos sobre o dia a dia da operação de SST, análises sobre responsabilidade legal em acidentes de trabalho. O tráfego pago achava a audiência, o conteúdo transformava atenção em intenção de compra, e o time comercial fechava o ciclo.
O passo mais importante para o Renan, no entanto, foi outro: construímos com ele uma camada de relatório que tirou a operação diária das costas dele. Em vez de abrir o gerenciador todo dia, ele passou a receber, semanalmente, um resumo com o custo por lead qualificado por fonte, a relação LTV/CAC por coorte de aquisição e a contribuição de pipeline por canal. Em poucos minutos, todas as segundas-feiras, ele conseguia ler o que importava para a tomada de decisão estratégica.
Vale dizer que nada disso foi construído de uma vez. Em seis anos de trabalho conjunto, cada trimestre foi um ciclo de refinamento: audiências mais apertadas, criativos mais alinhados ao momento de mercado, integração mais limpa entre o que as campanhas atraíam e o que o time comercial da OnSafety conseguia fechar. O sistema que existe hoje é o resultado de muitas iterações pequenas, feitas com calma e com leitura honesta dos dados a cada ciclo.
Seção 4 · As Métricas
| Métrica | 2020 (início) | 2026 (hoje) |
| MRR | R$ 30.000 | R$ 600.000 |
| Crescimento de MRR | ponto de partida | 20x em 6 anos |
| Churn | sem acompanhamento estruturado | < 1,5% |
| Relação LTV / CAC | sem dado consolidado | 15x a 17x |
| Leads vindos de tráfego pago | abaixo de 30% (estimativa) | mais de 80% |
| Tempo do fundador no gerenciador | tempo integral | alguns minutos por semana |
Como ler essa tabela: Vale ler com calma. O crescimento de 20x de MRR em seis anos é, por si só, um resultado expressivo, mas o que mais importa nessa leitura está em volta dele: o churn abaixo de 1,5% indica que o app cumpre o que promete e os clientes ficam, enquanto a relação LTV/CAC entre 15x e 17x mostra que cada real investido em aquisição volta multiplicado várias vezes ao longo do ciclo de vida do cliente. Os três indicadores sustentados em paralelo por seis anos seguidos, com o Renan dedicando hoje apenas alguns minutos por semana ao acompanhamento da operação, mostram que o sistema se mantém sem depender dele para acontecer.
Seção 5 · O Impacto no Negócio
A OnSafety não cresceu apenas em receita. Cresceu, antes de tudo, na liberdade que o Renan recuperou para usar o próprio tempo.
Quando o MRR era de R$ 30K e o fundador era também o operador das campanhas, cada decisão tomada por ele tinha que disputar atenção com uma fila de pendências urgentes que vinham do gerenciador. Hoje, com o MRR em R$ 600K e a operação de growth funcionando sem precisar do envolvimento diário dele, o Renan voltou a ter o tempo necessário para tocar o que só um fundador pode tocar: contratar engenharia sênior, abrir linhas novas de produto, avaliar propostas de aquisição que apareçam na mesa e, em alguns momentos, simplesmente parar.
A mudança mais profunda dessa parceria não está nos dashboards, mas no que o Renan consegue fazer com a própria semana hoje. Quando perguntam por que a relação entre OnSafety e Loocro segue por seis anos, é essa a primeira coisa que ele costuma mencionar.