Seção 1 · O Problema
A Yasmin e o Felipe chegaram até a Loocro pelo caminho mais inusitado possível para uma agência de growth: um vídeo no TikTok. Estavam procurando um especialista que pudesse ajudá-los a lançar o app deles com algum critério no mercado, e foi exatamente nesse vídeo, em que o Paulo falava sobre estratégias de growth especificamente para apps, que o nome da Loocro apareceu pela primeira vez para eles. Não era um anúncio pago. Era um conteúdo orgânico, despretensioso. No mesmo domingo em que assistiram ao vídeo, mandaram a primeira mensagem. Em poucos dias, a parceria já tinha sido fechada.
O briefing que receberam era, ao mesmo tempo, simples de enunciar e difícil de executar: descobrir se aquele mercado iria responder ao produto. Não havia histórico de dados anteriores para servir de apoio, não havia outro app comparável que servisse como benchmark, e os concorrentes diretos que existiam tinham produtos bem mais limitados do que o do Provador de Cabelo, o que dava apenas uma vaga ideia inicial de por onde começar. Era, na essência, o lançamento de um app novo em uma categoria que o próprio público ainda não sabia que queria.
"Antes de trabalhar com a Loocro, a gente não existia. O app foi lançado e a gente tinha que começar do zero, entendendo a audiência, entendendo como ia funcionar no mercado."
Um app pré-receita, com captação recente já realizada e prestes a começar a rodar mídia paga, é uma das configurações mais arriscadas que existem em growth marketing. No caso do Provador de Cabelo, esse risco vinha amplificado por um cenário comum em apps recém-lançados: o time chegou até nós sem nenhuma estrutura técnica de mensuração montada. Não havia contas de anúncio configuradas, nem o SDK do app integrado às plataformas, nem uma ferramenta de atribuição como o AppsFlyer em operação, e o GA4 estava apenas parcialmente configurado. Começar a rodar campanhas pagas sem essa base montada antes significaria, na prática, queimar caixa sem nenhuma capacidade real de medir o que estaria acontecendo do outro lado. O primeiro desafio, portanto, não era nem mesmo adquirir usuário em volume. Era construir, antes disso, toda a camada de medição que iria permitir que o investimento subsequente fosse, de fato, mensurável.
Seção 2 · O Diagnóstico
Três pontos guiaram a abordagem que a Loocro construiu para o caso.
01Lançamento de app novo pede validação antes de escala.
Com zero histórico de instalações, zero dado de audiência acumulado e zero benchmark comparável dentro da categoria, otimizar para escala já no primeiro mês significaria, na prática, otimizar em cima de ruído. O primeiro trabalho real da operação não era maximizar volume de instalação. Era aprender, com a maior velocidade e o menor custo possível, quais audiências de fato respondiam ao app, quais formatos de criativo convertiam melhor, e se a demanda subjacente daquela categoria nova era, ela própria, real.
02Aquisição de instalação e conversão em assinatura são dois trabalhos distintos, que não podem rodar misturados.
Tentar adquirir instalação e converter assinante ao mesmo tempo, em um app que ainda não tem nenhum histórico construído, divide o orçamento e a atenção criativa entre duas campanhas que precisam de audiências diferentes, mensagens diferentes e ciclos de feedback diferentes. A Fase 1 da operação tinha que validar a economia de instalação. A Fase 2, que viria em sequência, podia então colocar a camada de monetização em cima da audiência que a Fase 1 já tivesse construído.
03Android e iOS não funcionam como o mesmo canal, mesmo quando estão dentro do mesmo gerenciador de campanhas.
O CPI no iOS é estruturalmente entre três e cinco vezes mais alto do que no Android, por uma combinação de fatores que estão na lógica das próprias plataformas: as regras de privacidade da Apple deixam a segmentação menos precisa, o público iOS tende a ser mais valioso por estar associado a maior poder de compra, e o leilão de impressão é mais competitivo. Rodar os dois sistemas operacionais sob a mesma estrutura de campanha, com o mesmo criativo e a mesma lógica de lance, resultaria em pagar caro demais no Android ou em entregar pouco no iOS. As duas plataformas precisam ser tratadas como estruturas paralelas independentes.
O diagnóstico final se resumiu a três movimentos: fasear o lançamento entre validação e monetização, separar Android e iOS desde a primeira campanha, e priorizar aprendizado rápido em cima de escala bruta enquanto a operação ainda não tinha dados suficientes para tomar decisões com segurança.
Seção 3 · O Que Mudou
A operação foi montada em três fases claras: primeiro a estrutura técnica de medição, depois a validação do mercado via aquisição de instalações, e só então a camada de monetização por assinaturas.
Fase 0 (primeiras semanas): construir a base técnica de medição.
Antes de qualquer campanha entrar no ar, foi preciso configurar do zero toda a infraestrutura que iria permitir que cada real investido em mídia paga pudesse ser medido com precisão. A Loocro configurou as contas de anúncio no Meta, fez a implementação técnica do SDK do app nas plataformas de campanha, colocou o AppsFlyer em operação como ferramenta de atribuição entre o anúncio e a instalação, e finalizou a configuração do GA4 que estava parcialmente montada do lado do cliente. Os eventos de conversão que importavam para a economia do negócio (instalação efetiva, início de trial, conversão para a versão paga) foram mapeados, implementados e validados antes da primeira campanha receber orçamento.
Fase 1 (mês 1): validar a aquisição de instalações.
Com a estrutura de medição funcionando, entraram no ar as primeiras campanhas de app install no Meta, com Android e iOS sendo tratados como estruturas totalmente independentes desde o primeiro dia. Cada plataforma recebeu a sua própria estrutura de campanha, a sua própria configuração de audiência, e os seus próprios criativos calibrados para a forma como o usuário daquele sistema operacional de fato se comporta.
Outra frente importante dessa fase foi a produção da primeira leva de criativos para as campanhas. Os anúncios em formato estático foram elaborados diretamente pelo time da Loocro, e os anúncios em vídeo foram desenvolvidos em conjunto com a Yasmin e o Felipe: a Loocro mapeou e indicou as referências de formato que tinham mais potencial de performar com aquele tipo de público, e o time do Provador de Cabelo ficou responsável pela produção dos vídeos a partir dessas referências. O formato que mais se destacou em performance foi o estilo "react", em que a pessoa testa o app na frente da câmera e reage, em tempo real, ao que vê acontecendo na tela. Foi o tipo de criativo que melhor traduziu a experiência do app em uma peça publicitária capaz de gerar instalação na escala que a operação precisava.
O objetivo dessa fase não era escalar volume, era encontrar a audiência respondente rapidamente e a um custo controlado, antes de tomar qualquer decisão de escala. Os números que apareceram nesse primeiro mês:
CPI Android R$ 0,42
CPI iOS R$ 1,85
CPI Total R$ 0,84
Para um app recém-lançado, entrando em uma categoria que ainda não tinha sido testada no mercado, esses números são, por si só, excepcionais. O mercado existia, só não tinha sido encontrado ainda.
Fase 2 (a partir da terceira semana): ativar a camada de monetização.
Com a base de instalações em formação, as campanhas de assinatura entraram em paralelo às de install, mirando a conversão do usuário que estava no trial gratuito de três dias para a versão paga, com preço de entrada de R$ 30 por mês. Esse preço foi definido pelo próprio time do Provador de Cabelo como ponto de entrada estratégico, deliberadamente baixo para reduzir a fricção de adoção em uma categoria que o público ainda estava conhecendo. O plano combinado com o cliente é escalar esse preço progressivamente até R$ 150 por mês, à medida que o MRR for atingindo o break-even e os dados de retenção por coorte confirmarem que o LTV se sustenta.
Os relatórios da operação foram desenhados, desde o primeiro dia, para separar a economia de aquisição de instalação da economia de aquisição de assinatura. O custo por instalação conta uma história sobre a aquisição do app na plataforma. O custo por início de trial e a taxa de conversão de trial para pago contam outra história, sobre o valor que o usuário enxerga no app depois de testar. As duas leituras precisam estar saudáveis para que a conta do negócio feche.
Seção 4 · As Métricas
Os números que importam ao final do mês três não são números de receita absoluta, são os indicadores que confirmam, ou não, se a hipótese inicial sobre o mercado era real.
As instalações se mantiveram dentro do CPI Total de R$ 0,84 estabelecido logo no primeiro mês de operação, com o Android entregando custo médio de R$ 0,42 e o iOS de R$ 1,85, ambos próximos do que esperávamos para uma categoria nova. Até o final do terceiro mês, a base de usuários ativos do app tinha crescido até 2.065 pessoas usando a ferramenta de forma recorrente. A primeira coorte de assinantes já estava no ar, gerando MRR sob o preço estratégico de entrada de R$ 30 por mês, enquanto as campanhas continuavam alimentando o funil com novas instalações.
Três meses depois do início da parceria, em uma categoria nova, com um app recém-lançado, e sem o histórico de mercado que outros segmentos teriam para usar como referência, a operação inteira estava apontando, de forma consistente, na direção que a hipótese inicial previa. O salto maior de resultado ainda não tinha acontecido em volume absoluto, mas as condições reais que permitem que ele aconteça já estavam, todas elas, montadas.
Seção 5 · O Impacto no Negócio
Lançar um app novo dentro de uma categoria que ainda nem existia no radar do público é, entre todos os tipos de desafio de growth, um dos mais difíceis de enfrentar. Não há audiência para retargetar, não há histórico de dados para usar como base de otimização, e não há benchmark de mercado para servir como referência de comparação. O que existe é um app, uma hipótese sobre o mercado, e um orçamento que o time não pode se dar ao luxo de gastar errado duas vezes.
No caso do Provador de Cabelo, a hipótese inicial se confirmou. O mercado para o app existe de fato, o app converte usuário em assinante quando posto à prova, e os fundamentos econômicos da operação, mesmo ainda em fase inicial, apontam de forma consistente para a direção certa.
Para a Yasmin e o Felipe, o que mais mudou ao final do mês três não foi um número específico no relatório de receita. Foi a resposta para a pergunta que eles não conseguiam responder ao iniciar a operação: existe gente disposta a pagar por isso? Os dados acumulados ao longo desses três meses dizem que sim. A partir desse ponto, o que vai acontecer é execução em cima de uma hipótese já validada, e não mais especulação em cima de algo ainda não comprovado.
Existe uma diferença grande entre um app pré-receita que já conhece o mercado onde está atuando e um app pré-receita que apenas espera que esse mercado exista. Essa diferença é exatamente o que um lançamento feito em fases bem desenhadas é capaz de criar.